domingo, 11 de setembro de 2011

Amor Doente





Ela tinha um amor doente.
Não doente assim tipo gripe, sarampo, dor de dente.
Doente, sim, de amor, de velhice, de mesmice. De ciúme, de desejo, de anseio.
Doente de não poder ficar junto.
Doente de querer estar perto.
Doente de ser proibido. De ser ressentido.
Doente assim só por doer, só por saber-se amor-incompleto.
Ela tinha um amor doente.
Desses que a vida põe na gente pra testar o equilíbrio.
Esquizofrênico, patológico, insano.
Desses que os olhos cegam, os ouvidos ensurdecem e as bocas, seladas, emudecem.
Desses de rir com lágrimas, sentir com mágoas e arder com gostos.
Desses de meio-minuto malas arrumadas, meio-segundo roupas estendidas.
Ela tinha um amor doente.

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